No primeiro aniversário do derrube da ditadura

Milhares de egípcios exigem<br>democracia e justiça social

Um ano após o início da revolta que culminou com o derrube do ditador Hosni Mubarak, a 11 de Fevereiro, centenas de milhares de egípcios inundaram as ruas das principais cidades do país para celebrarem a data e exigirem o cumprimento das reivindicações de então.

No Cairo, Alexandria, Suez, Port Said ou Ismailia, quarta-feira, dia 25 de Janeiro, o povo voltou a intimar o Conselho Superior das Forças Armadas a transferir o poder, que usurpou logo após a derrocada do regime, e manifestou o seu descontentamento pela não implementação das prometidas reformas democráticas e sociais.

As autoridades não impuseram a sua presença na praça, como noutras ocasiões, mas reforçaram os contingentes junto aos edifícios governamentais, temendo que a manifestação assumisse um carácter mais contundente.

Na Praça Tahrir, no centro do Cairo, à grande acção de massas realizada a meio da semana passada seguiu-se a instalação de um acampamento permanente, com o objectivo de resgatar a condução do processo de transformação no território.

Sexta-feira, 27, milhares de egípcios voltaram a encher o emblemático local, em nova iniciativa de festejo e protesto, denominada «Dia da Dignidade». Cumpria-se um ano sobre a mais sangrenta acção repressiva da ditadura de Mubarak e os manifestantes acusaram a Junta militar de manter o regime autoritário.

Mais de 55 organizações políticas e sociais mobilizaram para a acção. A legitimidade do poder está na Praça, expressava-se em faixas e cartazes.

Os grupos de jovens são os mais incisivos nas reivindicações, acusando a Junta Militar de impor, no fundamental, o conteúdo da política seguida pelo regime ditatorial.

Desemprego, pobreza extrema, profundas desigualdades sociais, ausência de direitos laborais e exploração violenta da força de trabalho prosseguem como antes, acusam.

A cúpula do poder liderada pelo odiado marechal Tantawi, tem respondido aos protestos com repressão. Mais de três mil pessoas foram detidas durante o ano de 2011. Centenas têm sido julgadas nos tribunais militares. Ainda na terceira semana de Janeiro, pelo menos 17 egípcios morreram na sequência do desmantelamento violento de um acampamento que, desde Novembro, se mantinha em frente à sede do Governo, para contestar a nomeação de Kamal al Ganzouri como primeiro-ministro.

Ganzouri já havia desempenhado as funções durante a liderança de Hosni Mubarak.

Na revolta de Novembro do ano passado, pelo menos 42 pessoas morreram, mas nenhum responsável pelo massacre foi até ao momento levado perante a justiça.

O Conselho Superior das Forças Armadas procura legitimar-se realizando eleições que muitos acusam de carecerem de democraticidade. Os antigos círculos de influência e manipulação dos sufrágios mantêm-se.

Ainda no domingo, dia 29, milhões de egípcios foram chamados a escolher 180 deputados de um total de 270 assentos no Senado. Poucos responderam à chamada, facto que revela o aprofundamento da fractura entre a actual cúpula do poder exercido pelos militares e antigas figuras gradas do regime, e a maioria do povo, que não sente nem vê alterações de fundo no país.

O marechal Tantawi anunciou, antes das acções de massas, o levantamento parcial do estado de emergência que perdurava desde 1981. O povo egípcio e, sobretudo, muitos dos jovens que se mantêm vigilantes e mobilizados, denunciam que a medida é de fachada e procura manipular os legítimos anseios populares, até ao momento frustrados.



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